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Crédito Pessoal e Seus Impactos no Orçamento Familiar

Crédito Pessoal e Seus Impactos no Orçamento Familiar

07/01/2026 - 03:13
Felipe Moraes
Crédito Pessoal e Seus Impactos no Orçamento Familiar

Em um país marcado por desafios econômicos recorrentes, o acesso ao crédito pessoal se consolida como uma alternativa para a manutenção do equilíbrio financeiro das famílias. No Brasil de 2025, esse recurso ganha ainda mais relevância diante do cenário de instabilidade.

Para muitos, o empréstimo representa uma tábua de salvação diante de imprevistos, como emergências médicas, reparos domésticos ou oportunidades de investimento em negócios. No entanto, sem planejamento, ele pode se transformar em armadilha, comprometendo a segurança e o bem-estar familiar.

Este artigo apresenta uma análise detalhada sobre os principais números do mercado de crédito e orientações para que o consumidor utilize esse instrumento de forma consciente e estratégica.

Panorama Geral do Mercado de Crédito Pessoal no Brasil

Dados recentes indicam que 43% dos brasileiros pretendem contratar crédito pessoal ou consignado em 2025. Destes, 44% planejam usar os recursos para quitar dívidas acumuladas. Esse comportamento revela o impacto direto do cenário de juros altos e inflação persistente no orçamento doméstico.

Em julho, o Sistema Financeiro Nacional contabilizou R$ 6,7 trilhões em operações de crédito, sendo R$ 4,2 trilhões destinados às famílias. Em setembro, o total de empréstimos pendentes alcançou R$ 6,8 trilhões, o maior volume desde dezembro do ano anterior.

Para ilustrar: imagine uma família de classe média que utiliza o crédito para amortizar o saldo do cartão de crédito, com taxas que podem ultrapassar 400% ao ano. Essa prática reflete a pressão financeira sobre as famílias e a necessidade de soluções mais sustentáveis.

Modalidades de Crédito Preferidas

Ao escolherem uma linha de crédito, os consumidores consideram diferentes fatores que impactam o custo total da operação e a adequação ao seu fluxo de caixa.

  • Empréstimo pessoal: 53% dos entrevistados
  • Crédito consignado: 24% dos entrevistados
  • Soluções para autônomos: 9% dos entrevistados

Entre os critérios, destacam-se o valor disponível (35%), o tamanho das parcelas (25%) e as taxas de juros (24%). Essa decisão exige acompanhamento constante das ofertas e simulações prévias.

Perfil Demográfico e Uso de Crédito

O uso de crédito pessoal não é homogêneo e varia conforme características sociodemográficas. Observa-se maior incidência, por exemplo, entre:

  • Mulheres: 36%
  • Pessoas de 25 a 44 anos: 37%
  • Indivíduos com ensino superior completo: 39%
  • Segmentos de maior renda: 40%

Essas diferenças podem ser explicadas por fatores como maior acesso a informações, propensão a investimentos e percepção de risco. Uma profissional liberal, por exemplo, tende a avaliar a linha de crédito como investimento no negócio, enquanto famílias com renda variável buscam mais segurança nas parcelas fixas.

Comparativo de Taxas entre Fintechs e Mercado Tradicional

As fintechs revolucionaram o mercado ao oferecerem taxas mais competitivas por meio de processos digitais e análise de crédito inovadora.

Esse cenário evidencia a maior expansão de crédito doméstico pelas fintechs, que atraem clientes interessados em condições mais justas e processos de contratação rápidos e sem burocracia.

Para quem busca agilidade, as plataformas digitais oferecem simulações instantâneas e contratação em poucos minutos, dispensando idas a agências e análise manual de documentos.

Crédito Consignado e Novas Regras

A partir de janeiro de 2025, chegam novas diretrizes para o crédito consignado. Beneficiários do INSS poderão solicitar empréstimos antes de completar 90 dias no banco pagador, mantendo a margem consignável em 45% do benefício.

Apesar da relevância, 46% dos consumidores desconhecem essas mudanças nas regras do consignado, o que pode resultar em perdas de oportunidades para quem tem esse perfil. É essencial que as instituições reforcem a comunicação dessas alterações.

Além disso, a Medida Provisória nº 1.292 ampliou o acesso, triplicando o volume médio mensal de contratações para R$ 5,6 bilhões em abril de 2025. Esse movimento indica ampliação significativa de acesso ao crédito para trabalhadores do setor privado.

Performance das Fintechs no Setor de Crédito

Em 2024, as fintechs alcançaram R$ 35,5 bilhões em crédito concedido, um crescimento de 68% em relação ao ano anterior. A carteira de clientes pessoa física subiu para 67,5 milhões (alta de 26%), enquanto pessoas jurídicas atendidas passaram de 33 mil para 55 mil.

A preferência por garantias também aumentou: 77% das fintechs aceitam garantias em operações, contra 70% no ano anterior. Esse fator impulsiona a confiança do investidor e reduz o custo do crédito.

Para o cliente, isso significa maior variedade de produtos e a chance de negociar condições personalizadas, de acordo com perfil de risco e necessidade financeira.

Inadimplência e Risco de Crédito

Apesar do sucesso das fintechs, a inadimplência requer atenção. A taxa média de atraso subiu de 8,3% para 9,5% em 2024, comparada a 3,5% no SFN.

Essa diferença reflete o perfil de risco das carteiras digitais, que atendem públicos mais vulneráveis ou menos conhecidos. Para mitigar perdas, as empresas apostam em tecnologia de análise preditiva e cobrança preventiva.

O desafio é alinhar rentabilidade e sustentabilidade, garantindo que as ofertas continuem viáveis sem sacrificar o usuário.

Desafios e Perspectivas para o Futuro

Em um cenário de custos elevados, as famílias precisam adotar práticas sólidas de gestão financeira, como:

  • Pesquisar e comparar taxas e prazos;
  • Fazer simulações antes de contratar;
  • Manter fundo de emergência equivalente a 3 a 6 meses de despesas;
  • Investir em educação financeira contínua e sólida.

As instituições, por sua vez, devem intensificar a transparência e oferecer atendimento humanizado, promovendo inclusão e evitando a sobreendividamento.

Ao equilibrar oferta e demanda de crédito, o Brasil pode criar um ecossistema financeiro mais robusto e justo, onde o crédito se torne ferramenta de crescimento e não de sufoco.

Com planejamento e informação, cada família pode transformar o acesso ao empréstimo em oportunidade de construção de segurança e prosperidade a longo prazo.

Felipe Moraes

Sobre o Autor: Felipe Moraes

Felipe Moraes